Hoje, 30 de setembro de 2026, é o último dia para sacar criptoativos da NovaDAX. A partir de 1º de outubro, tudo o que ainda estiver na plataforma é convertido automaticamente em reais, sem que o cliente escolha o momento nem o preço da conversão. Quem tem saldo e ainda não agiu tem algumas horas para decidir o que fazer com ele.

A corretora anunciou a saída do Brasil em 8 de junho e, em agosto, informou que cerca de 70% dos ativos totais já tinham sido sacados (Portal do Bitcoin). Isso significa que aproximadamente 30% do patrimônio dos clientes ainda estava sob custódia da plataforma quando a empresa prorrogou a janela de saques de 30 de agosto para 30 de setembro — justamente para evitar a concentração de pedidos na reta final, como noticiou o Valor Investe.

O cronograma completo da NovaDAX

A descontinuação foi planejada por etapas, e cada etapa fechou uma porta:

  • 8 de junho de 2026 — fim dos novos cadastros, das ordens de compra, do staking, do lending e do modo Agent. A saída do país foi atribuída a uma decisão estratégica do grupo controlador.
  • 12 de junho de 2026 — fim dos depósitos em reais e em criptomoedas.
  • 30 de junho de 2026 — fim das ordens de venda no livro de ofertas. Desde então, não há mais como comprar nem vender ativos pela plataforma.
  • 1º de julho de 2026 — a plataforma passa a funcionar apenas para saques.
  • 30 de agosto de 2026, prorrogado para 30 de setembro de 2026 — janela de saque em criptoativos.
  • 1º de outubro de 2026 — início da conversão automática dos ativos remanescentes, também chamada de liquidação compulsória.

Na prática, hoje existem apenas dois caminhos: sacar os criptoativos, se você já tem uma carteira ou outra corretora pronta para receber, ou sacar em reais. A NovaDAX foi fundada em 2018 e atuava com compra, venda, depósito e saque de criptomoedas para pessoa física e jurídica.

O que acontece com quem não sacar hoje

A liquidação compulsória é exatamente o que o nome diz: os tokens que ficarem na plataforma são convertidos em reais automaticamente, conforme as condições de mercado vigentes no momento da liquidação. O valor recebido depende da cotação dos ativos naquele instante — e essa cotação não é escolhida por quem esperou.

Vale registrar que o canal de saque em reais não fecha hoje. Segundo o próprio comunicado oficial da NovaDAX, ele segue disponível durante a transição, inclusive depois do início da liquidação dos ativos digitais, por um período adicional que não ultrapassa outubro de 2026. O que termina hoje é a janela de saque em criptoativos. O cronograma por etapas também foi detalhado pelo Investidor10.

O FAQ oficial da corretora traz três números que explicam o ritmo do processo:

  • o limite diário de saque em reais corresponde a 1/3 do patrimônio total do usuário, sem limite acumulado;
  • as solicitações de saque em reais são processadas em até 56 horas após o pedido;
  • as solicitações de saque em criptomoedas são processadas em até 48 horas, e o tempo efetivo de recebimento depende do congestionamento da rede blockchain escolhida.

A orientação da própria empresa sempre foi a mesma: organizar as retiradas com antecedência e não concentrar movimentações nos últimos dias do prazo.

A conversão automática é uma venda, e isso tem efeito fiscal

Esse é o ponto que mais gera dúvida entre clientes de plataformas que estão encerrando operação. Transferir criptoativos entre contas de mesma titularidade não é venda e não gera apuração de ganho de capital. Mas a conversão automática feita pela corretora é diferente: os criptoativos foram vendidos e o resultado virou saldo em reais.

Para fins fiscais, isso é uma alienação, e entra na apuração de ganho de capital conforme as regras vigentes. Na prática, dois cuidados resolvem o assunto: guardar o comprovante da conversão automática e exportar o histórico completo, com extratos, ordens executadas e rendimentos de staking e de lending. É esse material que sustenta a declaração. O guia de imposto sobre criptomoedas no Brasil detalha as faixas e os prazos de recolhimento.

Por que isso está acontecendo: o filtro do Banco Central

A saída de corretoras do varejo brasileiro não é coincidência de calendário. O marco legal é a Lei 14.478/2022, que designou o Banco Central como regulador do setor. Em 10 de novembro de 2025, o BC publicou as Resoluções 519, 520 e 521, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, criando a figura da Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais — a PSAV, ou SPSAV na forma societária. O mercado que passou a ser filtrado por essas regras é grande: segundo a Receita Federal, as stablecoins já respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no país.

O conjunto passou a exigir:

  • autorização prévia do BC para intermediar, custodiar ou negociar criptoativos para terceiros, em três modalidades: intermediária, custodiante e corretora, que acumula as duas anteriores;
  • capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, conforme a atividade. Na consulta pública, a proposta falava em R$ 1 milhão a R$ 3 milhões;
  • segregação patrimonial obrigatória entre os ativos dos clientes e o patrimônio da empresa;
  • governança, gestão de riscos e controles de prevenção à lavagem de dinheiro equivalentes aos exigidos de outras instituições supervisionadas pelo BC.

O prazo final para as empresas que já operavam protocolarem o pedido é 30 de outubro de 2026. A partir dessa data, bancos e instituições de pagamento autorizadas pelo BC ficam impedidas de manter relacionamento com prestadoras que não estejam autorizadas nem com processo regular de autorização em andamento. Sem esse relacionamento, a empresa perde na prática o acesso operacional ao Pix — e sem Pix não existe operação de varejo. O detalhamento das exigências de capital e do prazo já foi tratado aqui no site.

A primeira licença negada e a fila que cresce

Em 28 de setembro de 2026, o Diário Oficial da União publicou o primeiro indeferimento de um pedido de autorização como SPSAV localizado desde a entrada em vigor do novo regime (Portal do Bitcoin). A decisão atinge a Higherway Tech Soluções Ltda., que atua comercialmente como Higher Global Payments — empresa sediada em São Paulo, fundada em 2020, com capital social de R$ 1,5 milhão, que oferece mesa OTC para grandes operações com criptoativos, pagamentos com stablecoins, infraestrutura de bank as a service e soluções de pagamentos internacionais. A companhia informou que protocolou o pedido em 30 de janeiro de 2026 (Webitcoin).

O aviso remete ao artigo 18 da Resolução BCB 519, que trata das empresas que já operavam antes do novo regime: depois de esgotadas as possibilidades de recurso, a empresa tem até 30 dias contados do recebimento da notificação para cessar as atividades que dependem de autorização do BC. Nesse período, também deve comunicar os clientes, devolver os ativos virtuais e transferir os recursos financeiros para contas de titularidade dos usuários.

O Banco Central não divulgou o motivo específico do indeferimento. O que a decisão mostra é mais simples e mais relevante: protocolar o pedido não é garantia de permanecer no mercado.

Na mesma consulta pública, a Transfero passou a integrar a lista de processos em andamento, sob o número 315453 e com situação “Aguardando recebimento”. Com isso, sete empresas constavam como candidatas à autorização: Transfero, Mazzera, PFPay, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange. Estar na base significa apenas que o processo está em andamento, não é autorização concedida. A Transfero é conhecida por ter criado o BRZ, ativo digital pareado ao real, e sua instituição de pagamento já havia sido autorizada pelo BC em 2023 como emissora de moeda eletrônica; a nova solicitação é para a autorização específica de ativos virtuais.

Cinco corretoras deixaram o varejo brasileiro em cinco meses

Entre maio e setembro de 2026, cinco corretoras conhecidas do investidor brasileiro anunciaram que deixariam de atender o varejo, segundo levantamento da Brasil Bitcoin:

  • Bitnuvem — anunciou em maio, com desativação gradual desde outubro de 2025; plataforma acessível para saques até o fim de 2026.
  • NovaDAX — anunciou em 8 de junho; encerra hoje a janela de saque em criptoativos.
  • Digitra.com — anunciou em agosto, com fim da negociação e da custódia para o varejo e parceria voluntária com a Foxbit; saques até 21 de setembro.
  • Bitso — anunciou em 1º de setembro o fim do atendimento a pessoa física no Brasil, direcionando clientes ao Mercado Bitcoin; a empresa segue no segmento institucional.
  • Coinext — anunciou em 3 de setembro o fim da exchange de varejo, mantendo a gestora Coinext Asset; negociação até 15 de outubro, saque em cripto até 20 de outubro e conversão automática para reais a partir de 26 de outubro.

Nenhuma delas quebrou. Não houve fraude, invasão ou desaparecimento de fundos. Todas divulgaram cronogramas de saque e estão devolvendo os ativos aos clientes. O que aconteceu foi uma decisão de negócio diante do novo custo regulatório: a Coinext afirmou que a nova realidade exigia uma estrutura de capital e operação diferente daquela sobre a qual a empresa foi construída; a Digitra citou nominalmente as Resoluções BCB 519, 520 e 521 e as exigências de capital, tecnologia e governança; a Bitnuvem falou em regulação desfavorável às fintechs e concorrência de grandes players internacionais; a NovaDAX atribuiu a saída a uma decisão estratégica do grupo controlador.

O que fazer hoje, na prática

  1. Entre na conta hoje e verifique se ainda há criptoativos sob custódia. Se houver, decida antes do fim do dia entre transferir em cripto ou converter em reais.
  2. Resolva pendência de cadastro antes de qualquer coisa. Conta com verificação incompleta é a principal causa de saque travado, e regularizar leva dias.
  3. Faça um teste com valor baixo antes de mover o restante.
  4. Abra e verifique a conta de destino antes de começar a sacar. A verificação de identidade em outra plataforma leva tempo, e o destino precisa ser uma corretora autorizada ou com pedido regular em andamento no BC.
  5. Exporte todo o histórico: extratos, ordens executadas, rendimentos de staking e lending e o comprovante da conversão automática.
  6. Não deixe para os últimos dias. Filas de saque crescem perto do prazo, e a própria NovaDAX avisou que o processamento pode demorar — até 56 horas no saque em reais.
  7. Desconfie de qualquer contato não oficial. Encerramento de plataforma é o momento preferido de golpistas. Nenhuma corretora pede senha, código de autenticação de dois fatores, chave privada ou frase de recuperação, e nenhuma envia endereço de carteira por mensagem para “migrar” ativos.

Se o seu caminho for sacar em reais e recomeçar, o guia de saque via Pix explica o passo a passo. E se a ideia é reduzir a exposição a plataformas, vale entender a diferença entre carteira quente e carteira fria antes de mover qualquer valor.

O mercado hoje

O mercado não dá trégua no dia do vencimento. O Bitcoin voltou a superar US$ 84 mil em 29 de setembro, com alta de cerca de 1,5% em 24 horas, recuperando parte da queda da véspera — quando caiu para US$ 82,5 mil e liquidou cerca de US$ 500 milhões em posições alavancadas, atingindo 129.197 traders em 24 horas (IstoÉ Dinheiro).

A Bitfinex projeta consolidação entre US$ 84 mil e US$ 87.722, nível que marcou a abertura do ano. Segundo a análise da empresa, a permanência acima de US$ 84 mil mantém aberto o caminho até US$ 96,7 mil; uma perda de US$ 81,3 mil reabre a possibilidade de buscar o suporte dos US$ 77 mil. É projeção da Bitfinex, não do site.

Hoje, 30 de setembro, sai o núcleo do PCE de agosto, a medida de inflação que o Federal Reserve mais acompanha, junto com a terceira leitura do PIB americano do segundo trimestre. Segundo o CME, o mercado precifica 70,3% de chance de nova alta de juros pelo Fed em outubro. No Brasil, a Selic está em 13,75% após o último corte do Copom.

Para quem tem saldo em uma plataforma que está saindo do mercado, a decisão de hoje não depende do preço do dia. Depende do calendário, e o calendário não espera. Quem quiser comparar as opções que ficaram no Brasil pode começar pelo panorama de corretoras.

Leia também

O prazo de uma plataforma que sai do mercado é a única coisa do mercado cripto que não tem volatilidade. Hoje é o último dia, e amanhã a conversão acontece sem perguntar.

Confira as plataformas e conheça as condições de uso.

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