<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><channel><title>Tesouraria Em Bitcoin on Crypto GOD Brasil</title><link>https://br.crypto-god.com/tags/tesouraria-em-bitcoin/</link><description>Recent content in Tesouraria Em Bitcoin on Crypto GOD Brasil</description><image><title>Crypto GOD Brasil</title><url>https://br.crypto-god.com/images/og-default.jpg</url><link>https://br.crypto-god.com/images/og-default.jpg</link></image><generator>Hugo</generator><language>pt-br</language><lastBuildDate>Fri, 09 Oct 2026 08:45:00 +0800</lastBuildDate><atom:link href="https://br.crypto-god.com/tags/tesouraria-em-bitcoin/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Méliuz desliga a compra e venda de bitcoin no app: cliente tem até 30 de outubro para zerar o saldo — e essa é a mesma data em que o Banco Central decide quais plataformas de cripto continuam no ar</title><link>https://br.crypto-god.com/posts/meliuz-encerra-bitcoin-app-prazo-30-outubro-psav-banco-central-2026/</link><pubDate>Fri, 09 Oct 2026 08:45:00 +0800</pubDate><guid>https://br.crypto-god.com/posts/meliuz-encerra-bitcoin-app-prazo-30-outubro-psav-banco-central-2026/</guid><description>A Méliuz (CASH3) encerrou a compra e venda de bitcoin no aplicativo e deu até 30 de outubro para os clientes liquidarem o saldo — quem não vender no prazo é liquidado automaticamente a preço de mercado. A mesma data é o prazo-limite do Banco Central para as prestadoras de serviços de ativos virtuais protocolarem pedido de autorização: sem pedido, a atividade tem de ser encerrada em 30 dias, sem prorrogação. Com o BTC abaixo de US$ 81 mil e o dólar a R$ 5,02, isso vale cerca de R$ 407 mil por bitcoin.</description><content:encoded><![CDATA[<p>Tem gente que descobriu esta semana que tinha bitcoin parado dentro do aplicativo de cashback que usa para juntar pontos no supermercado. Essa gente tem até <strong>30 de outubro</strong> para zerar esse saldo. A Méliuz (CASH3) divulgou na quarta-feira (7) o encerramento da função de compra e venda de bitcoin no app: os aportes já estavam bloqueados desde <strong>1º de outubro</strong>, e quem não vender dentro do prazo terá o saldo <strong>liquidado automaticamente a preço de mercado</strong>, com o valor em reais creditado na conta digital da própria empresa. É a diferença entre você escolher o preço e o calendário escolher por você.</p>
<h2 id="o-que-a-méliuz-encerrou--e-o-que-ela-não-encerrou">O que a Méliuz encerrou — e o que ela não encerrou</h2>
<p>Primeiro, o que sai do ar: só o serviço de varejo, aquela aba do app onde o usuário comprava e vendia BTC. A empresa classificou o recurso como acessório, usado por uma parcela pequena da base de clientes, e disse que essa operação &ldquo;não vai afetar os resultados da companhia&rdquo;. Sobre o motivo, foi direta: as novas exigências regulatórias do Banco Central para empresas que oferecem criptoativos ao consumidor final. A Méliuz afirmou que <strong>teria condições de obter as autorizações necessárias</strong>, mas avaliou que o custo e o esforço operacional não se justificam diante das prioridades de produto — e deixou a porta aberta para reavaliar no futuro.</p>
<p>Agora o que <strong>não</strong> saiu do ar — e é aqui que a leitura errada custa caro. A Méliuz continua com bitcoin no próprio balanço. Em maio de 2025, os acionistas aprovaram a transformação da companhia na primeira empresa listada no Brasil a ter o bitcoin como principal ativo de sua tesouraria. Segundo dados do BitcoinTreasuries citados pela imprensa, são cerca de <strong>604,7 BTC</strong>, adquiridos por aproximadamente <strong>US$ 62,5 milhões</strong>, a um preço médio de <strong>US$ 103,3 mil</strong> por unidade. Com o bitcoin na casa dos US$ 81 mil, essa posição carrega perda não realizada perto de <strong>US$ 13,5 milhões</strong>. Mesmo assim, a empresa diz manter a convicção no ativo como reserva de valor de longo prazo e o compromisso de gerar <strong>BTC Yield</strong> — a métrica que mede a variação da quantidade de bitcoin por ação, popularizada pela Strategy, de Michael Saylor. No segundo trimestre, a Méliuz apresentou BTC Yield acima de <strong>1.000%</strong> desde o início da estratégia.</p>
<p>E o app não é a única frente em movimento na empresa. Na segunda-feira (5), fato relevante informou que os acionistas aprovaram uma <strong>redução de capital social de R$ 160 milhões</strong>, destinada à formação de reserva de capital, sem cancelamento de ações nem distribuição de dinheiro aos acionistas — a justificativa foi ajuste de capital excessivo. A mesma assembleia aprovou um novo plano de opção de compra de ações, substituindo o plano de 2020. Em agosto, a companhia já havia anunciado um programa de recompra de até <strong>10% das ações em livre circulação</strong>, com prazo até fevereiro de 2028, e ampliado a estratégia de tesouraria com derivativos de bitcoin — segundo a empresa, sem alavancagem.</p>
<h2 id="por-que-agora-o-novo-regime-das-prestadoras-de-serviços-de-ativos-virtuais">Por que agora: o novo regime das prestadoras de serviços de ativos virtuais</h2>
<p>O pano de fundo é o pacote que o Banco Central publicou em novembro de 2025 para o setor de ativos virtuais. A <strong>Resolução BCB 519</strong> criou e disciplinou as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (as SPSAV) e estabeleceu que essas empresas precisam de autorização para funcionar. A <strong>Resolução BCB 520</strong> fechou a torneira do outro lado: bancos, instituições de pagamento e demais instituições supervisionadas pelo BC não podem manter relacionamento operacional com prestadoras que não estejam autorizadas <strong>ou com pedido em tramitação</strong> — a vedação alcança negociação, intermediação, custódia, pagamentos e serviços correlatos. A <strong>Resolução BCB 521</strong> levou parte dessas operações para o guarda-chuva do mercado de câmbio e capitais internacionais. As regras entraram em vigor em <strong>2 de fevereiro de 2026</strong>, com o Banco Central ajustando depois o cronograma operacional e normas de transição.</p>
<p>Para entrar no novo regime, a empresa precisa comprovar requisitos que custam dinheiro e estrutura: capital mínimo compatível com as atividades exercidas, <strong>segregação patrimonial</strong> entre os ativos dos clientes e o patrimônio da instituição, estrutura formal de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLD/FT), compliance, auditoria interna e segurança cibernética. As Resoluções BCB 552 e 553, de 2026, reforçaram as exigências de governança. Traduzindo para o dia a dia do brasileiro: o &ldquo;botão de comprar cripto&rdquo; que apareceu dentro de bancos, carteiras digitais, apps de varejo e fintechs passou a ter uma conta regulatória — e em muitos casos essa conta não fecha.</p>
<h2 id="30-de-outubro-não-é-uma-data-da-méliuz-é-a-data-do-banco-central">30 de outubro não é uma data da Méliuz. É a data do Banco Central.</h2>
<p>Aqui está o ponto que interessa a todo mundo que compra cripto no Brasil, não só aos clientes da Méliuz. <strong>30 de outubro de 2026 é o prazo-limite para as prestadoras de serviços de ativos virtuais que já operavam protocolarem o pedido de autorização junto ao Banco Central.</strong> A consequência de perder essa data é dura e tem prazo próprio: quem não protocolar precisa <strong>encerrar a atividade em 30 dias</strong>, com devolução ordenada dos ativos dos clientes e corte de acesso a contrapartes autorizadas — e <strong>não há previsão de prorrogação</strong>. Para quem protocolar fora do prazo, a regra é ainda mais travada: a empresa não pode operar até que uma eventual aprovação saia, e esses processos costumam ter ciclos longos de análise.</p>
<p>Faz a leitura fria. A Méliuz não saiu porque não conseguiria cumprir a regra — saiu porque, na conta dela, cumprir a regra por uma operação pequena não fazia sentido empresarial. Empresas menores, com operação de cripto mais relevante em relação ao tamanho, tendem a chegar à mesma conclusão por caminho oposto. E o movimento já está visível no varejo brasileiro: a <strong>Bity</strong> encerrou os serviços de cripto para terceiros no país, deixando 850 mil clientes com prazo para decidir o destino dos saldos, e a <strong>Crypto.com</strong> fechou a conta em reais no Brasil com o prazo do Banco Central se aproximando. Ou seja: o que este mês está entregando não é preço, é <strong>fila de decisões</strong> — e o resultado dela é uma lista de plataformas brasileiras que continuam autorizadas a operar, e outra que simplesmente vai desaparecer.</p>
<h2 id="o-que-checar-no-seu-aplicativo-antes-de-30-de-outubro">O que checar no seu aplicativo antes de 30 de outubro</h2>
<ol>
<li><strong>Descubra quem custodia o seu bitcoin.</strong> Se o app não é uma corretora e apenas &ldquo;plugar&rdquo; um parceiro, é provável que essa função seja exatamente o tipo de serviço que sai do ar nesta transição. A Méliuz é o exemplo mais recente, não o único.</li>
<li><strong>Confirme a situação da empresa no Banco Central.</strong> O que importa é se ela está autorizada <strong>ou com o pedido protocolado</strong>. Sem uma das duas, a instituição fica impedida de manter relacionamento operacional — e o seu saque pode ficar sem trilho.</li>
<li><strong>Não deixe saldo parado onde você não escolheu guardar.</strong> Liquidação automática a preço de mercado significa que a data da venda é decidida pela empresa. Em um mercado que caiu abaixo dos US$ 81 mil em 8 de outubro, esse detalhe deixa de ser burocrático e passa a ser financeiro.</li>
<li><strong>Se for sacar, não deixe para o dia 30.</strong> O <strong>Pix funciona 24 horas, todos os dias</strong>, feriado incluso, e liquida em segundos — mas limite por horário, fila de atendimento e prazo interno de processamento de cada plataforma continuam existindo. Quem resolve na véspera disputa a fila com todo mundo que teve a mesma ideia.</li>
<li><strong>Autocustódia é a única posição que não depende de autorização de ninguém.</strong> Se você guarda cripto para o longo prazo e não vai negociar, tirar do app e levar para uma carteira própria resolve o problema na raiz. Em troca, passa a ser sua a responsabilidade pela <strong>frase de recuperação</strong> — quem perde a seed perde o saldo, e nenhum Banco Central devolve.</li>
</ol>
<h2 id="o-pano-de-fundo-o-bitcoin-caiu-o-dólar-ficou-em-r-5-e-a-conta-mudou-duas-vezes">O pano de fundo: o bitcoin caiu, o dólar ficou em R$ 5 e a conta mudou duas vezes</h2>
<p>O preço também entrou na história desta semana. O bitcoin caiu <strong>abaixo de US$ 81 mil em 8 de outubro</strong>, com mínima intradiária perto de <strong>US$ 80,8 mil</strong>, e o mercado registrou <strong>mais de US$ 1 bilhão em liquidações em 24 horas</strong>, sendo cerca de <strong>US$ 930 milhões em posições compradas</strong> — o que amplifica a queda porque vende à força quem estava alavancado. No exterior, o rendimento do Treasury de 10 anos bateu <strong>5,305%</strong> e o Brent chegou a <strong>US$ 104,87</strong>, combinação que reduz o apetite por risco; relatório da Glassnode de 7 de outubro estimou o volume diário combinado de exchanges spot e ETFs americanos em cerca de <strong>US$ 6,8 bilhões</strong>, abaixo de aproximadamente 90% das leituras desde janeiro de 2024, com <strong>US$ 4,9 bilhões de dinheiro novo</strong> (ETFs, stablecoins e tesourarias corporativas) contra cerca de <strong>US$ 12,8 bilhões realizados em 30 dias</strong> — leitura de que a alta anterior veio mais de reprecificação de moedas já existentes do que de entrada nova de capital.</p>
<p>No Brasil, o dólar fechou 8 de outubro a <strong>R$ 5,024</strong>. Faça a conta na tela: a US$ 81 mil, cada bitcoin vale aproximadamente <strong>R$ 407 mil</strong> — e a faixa de <strong>US$ 75 mil</strong> apontada como o próximo agrupamento de liquidações equivale a cerca de <strong>R$ 376,8 mil</strong>. Para o investidor que compra em real, taxa de câmbio mais baixa é a mesma coisa que desconto: cai o preço em dólar e cai o preço em real na mesma semana. O que não muda no calendário são os gatilhos à frente — o <strong>CPI de setembro em 14 de outubro</strong>, o <strong>FOMC de 27 e 28 de outubro</strong> e o encontro do Fed de <strong>8 e 9 de dezembro</strong>. Na leitura técnica, a referência que devolveria força ao movimento é <strong>US$ 85,5 mil</strong>, perto de <strong>R$ 429,5 mil</strong>.</p>
<h2 id="conclusão-marque-30-de-outubro-no-calendário">Conclusão: marque 30 de outubro no calendário</h2>
<p>O que aconteceu com a Méliuz é menos sobre uma empresa e mais sobre um modelo que está mudando de forma: no Brasil, cripto deixou de ser funcionalidade de conveniência dentro de qualquer app e passou a ser atividade regulada, com capital, segregação de ativos, controle interno e auditoria. Quem operava no improviso vai sair, quem tem estrutura vai ficar — e a cabeça de cada brasileiro que guarda bitcoin num app de varejo deveria estar na tela do Banco Central, não no aplicativo. A checagem é curta: onde está o meu saldo, essa empresa está na lista autorizada, e o que eu faço se ela não estiver.</p>
<p>Fazer isso hoje custa alguns minutos. Fazer isso no dia 30 custa o preço que o mercado decidir por você.</p>
<h2 id="leia-também">Leia também</h2>
<ul>
<li>O precedente que correu na frente: <a href="/posts/bity-encerra-operacoes-mercado-bitcoin-prazos-conversao-2026/">A Bity saiu do varejo no Brasil e 850 mil clientes têm até 25 de novembro</a>.</li>
<li>O que a nova regra do Banco Central mudou nas stablecoins e nas remessas em <a href="/posts/resolucao-bcb-561-em-vigor-stablecoin-remessas-brasil-2026/">A Resolução BCB 561 entra em vigor</a>.</li>
<li>O arcabouço que sustenta tudo isso está em <a href="/posts/marco-legal-criptomoedas-lei-14478-guia-2026/">O marco legal das criptomoedas, Lei 14.478</a>.</li>
<li>E o cenário de preço da semana, com o dólar abaixo de R$ 5 e as liquidações, em <a href="/posts/ata-fed-bitcoin-83-mil-liquidacoes-dolar-abaixo-5-reais-2026/">Bitcoin devolve o ganho de outubro</a>.</li>
</ul>



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